3 semanas se passaram desde minha reentrada na universidade. Felizmente, nada mais de atrasos. Minha rotina mudou completamente. Meus dias de ócio se transformaram em lembranças longínquas de um tempo de adaptação. Hoje mal tenho tempo (e vontade) de computador. O que é uma pena, porque os pensamentos borbulham de tanta coisa nova acontecendo e eles dificilmente tomam forma de texto. E essa é uma das coisas que quero inserir em inha nova rotina: uns minutinhos pra fazer a vida ser rabiscada no papel. Ou, pra falar de forma um pouco menos poética, mas muito mais condizente com a realidade: uns minutinhos pra fazer a vida ser digitada na tela do computador. Que aqui pra nós, não existe a menor possibilidade hoje em dia de eu escrever com a boa e velha caneta. É simplesmente não-funcional pra mim. A rapidez com que meus pensamentos se formam e se reorganizam a todo momento, vão muito além de minha velocidade com um lapis e uma borracha. Digitar é muito mais prático e produtivo também.
Meus dias se dividem em faculdade – trabalho – casa. E o que mais me surpreende é que estou adorando isso!!!!! Como consigo ver um início e um fim nesse ritmo, meu coração não entra em desespero. Quer dizer, ainda estou nesse processo de entendimento e aceitação, claro, que nada acontece como um passe de mágica. Afinal, não podemos esquecer que a vontade de mudar de estilo de vida é muito forte em mim. Viver indefinidamente no meio desse caos funcinal e ideológico que permeia a maior parte das grandes metrópoles, simplesmente não dá. É desrespeito atrás de desrespeito: pessoa-pessoa, empresa-pessoa, empresa-empresa, pessoa-planeta, empresa-planeta... É demais pro meu coração. Mas como minha passagem por aqui por Paris é literalmente uma passagem, umas respiradas fundas vez ou outra conseguem reestruturar meu equilíbri interno.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Depois de 5 meses de férias em Paris... Volta às aulas
Bem… Cá estou eu de volta. As férias foram maravilhosas (leia-se: os últimos 5 meses) e agora chegou a hora de voltar à vida de estudante.
07 de setembro. Enquanto parte de meus conterrânios (pelo menos aquela minoria com algum poder aquisitivo que pode se dar ao luxo de feriados) aproveitava a segundona da independência, lá estava eu, do outro lado do oceano iniciando o primeiro dia de uma nova vida. Por mais clichê que essa frase possa soar, tenho que enfatizá-la. E logo, logo você entenderá o porquê.
Atividade do dia: aula de abertura, das 11h às 12h.
Acordei às 10h, me aprontei e às 10:30 estava na bicicleta em direção à Universidade. O sol abriu o dia com chave de ouro. E fazia aquele friozinho bom pra andar de bicicleta sem sentir calor.
Chego no meu destino final às 10:50. Primeiro desafio do dia: achar lugar para estacionar a bicicleta. Para quem não sabe, em Paris existe um sistema de bicicletas públicas onde a cada raio de 100 metros há uma estação. A da frente da faculdade estava... adivinhe? Lotada. Confesso que sequer pensei antes nessa possibilidade. Marinheiro de primerira viagem é assim mesmo. Lá fui eu para a próxima, no fim da rua, e adivinhe? Fora de serviço. Saí andando (literalmente segurando a bicicleta e andando) e perguntando às pessoas se haveria alguma outra estação na redondeza. Nada. Ninguém sabia. Mas como sou brasileira e não desisto nunca, lá fui eu. Afinal, tinha que devolver a bendita bicicleta para ir assitir a aula e ainda mais: os 30 minutos limites de uso da bicicleta já estavam no final. Outra estação em uma das esquinas: lotada.
Desisti. A pontualidade francesa superou a invencibilidade brasileira. Aproveitei que tinha um bônus de 2 horas, ou seja, poderia ficar mais 2 horas sem pagar multa, acorrentei a bicicleta num piquete e lá fui eu, 11:05, suando e desesperada, agora para descobrir ONDE seria a bendita aula (enfatizando que a universidade é imensa, gigante. Diversos prédios interconectados formando um verdadeiro labirinto).
Pergunto a um, pergunto a outro. Ninguém sabe. O comitê de recepção aos novos alunos era só para os novos alunos que estavam entrando no primeiro ano de faculdade. E eu, nova aluna do segundo ano, fiquei rodando parecendo cego em meio de tiroteio.
Depois de subir aqui, descer ali, ir lá adiante, voltar, finalmente achei o anfiteatro. Às 11:40.
Quando abri a porta, me deparei com um auditório típico de filme europeu (aquilo é real! Não é só cenário!). Fileiras e fileiras de mesas e bancos contínuos, separados por dois corredores formando três colunas largas. Mais de 200 alunos. E estou falando só da minha turma: A5. E o professor lá embaixo, falando baixinho, enquanto as 200 bocas falavam sem parar. Minha tenativa de sentar na terceira fila do alto foi inútil, não conseguia ouvir nada que o professor falava.
Percebi que meu ano letivo começava. E com ele todos os desafios e conquistas que virão.
Agora, eu além de ser a mais nova estudante de biologia da UPMC, serei também a mais nova nerd da universidade.
07 de setembro. Enquanto parte de meus conterrânios (pelo menos aquela minoria com algum poder aquisitivo que pode se dar ao luxo de feriados) aproveitava a segundona da independência, lá estava eu, do outro lado do oceano iniciando o primeiro dia de uma nova vida. Por mais clichê que essa frase possa soar, tenho que enfatizá-la. E logo, logo você entenderá o porquê.
Atividade do dia: aula de abertura, das 11h às 12h.
Acordei às 10h, me aprontei e às 10:30 estava na bicicleta em direção à Universidade. O sol abriu o dia com chave de ouro. E fazia aquele friozinho bom pra andar de bicicleta sem sentir calor.
Chego no meu destino final às 10:50. Primeiro desafio do dia: achar lugar para estacionar a bicicleta. Para quem não sabe, em Paris existe um sistema de bicicletas públicas onde a cada raio de 100 metros há uma estação. A da frente da faculdade estava... adivinhe? Lotada. Confesso que sequer pensei antes nessa possibilidade. Marinheiro de primerira viagem é assim mesmo. Lá fui eu para a próxima, no fim da rua, e adivinhe? Fora de serviço. Saí andando (literalmente segurando a bicicleta e andando) e perguntando às pessoas se haveria alguma outra estação na redondeza. Nada. Ninguém sabia. Mas como sou brasileira e não desisto nunca, lá fui eu. Afinal, tinha que devolver a bendita bicicleta para ir assitir a aula e ainda mais: os 30 minutos limites de uso da bicicleta já estavam no final. Outra estação em uma das esquinas: lotada.
Desisti. A pontualidade francesa superou a invencibilidade brasileira. Aproveitei que tinha um bônus de 2 horas, ou seja, poderia ficar mais 2 horas sem pagar multa, acorrentei a bicicleta num piquete e lá fui eu, 11:05, suando e desesperada, agora para descobrir ONDE seria a bendita aula (enfatizando que a universidade é imensa, gigante. Diversos prédios interconectados formando um verdadeiro labirinto).
Pergunto a um, pergunto a outro. Ninguém sabe. O comitê de recepção aos novos alunos era só para os novos alunos que estavam entrando no primeiro ano de faculdade. E eu, nova aluna do segundo ano, fiquei rodando parecendo cego em meio de tiroteio.
Depois de subir aqui, descer ali, ir lá adiante, voltar, finalmente achei o anfiteatro. Às 11:40.
Quando abri a porta, me deparei com um auditório típico de filme europeu (aquilo é real! Não é só cenário!). Fileiras e fileiras de mesas e bancos contínuos, separados por dois corredores formando três colunas largas. Mais de 200 alunos. E estou falando só da minha turma: A5. E o professor lá embaixo, falando baixinho, enquanto as 200 bocas falavam sem parar. Minha tenativa de sentar na terceira fila do alto foi inútil, não conseguia ouvir nada que o professor falava.
Percebi que meu ano letivo começava. E com ele todos os desafios e conquistas que virão.
Agora, eu além de ser a mais nova estudante de biologia da UPMC, serei também a mais nova nerd da universidade.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Um elefante incomoda muita gente, aos parisienses incomoda muito mais
Aqui em Paris o lema é: "Vamos reclamar". Não sei se esse espírito insatisfeito foi precursor da Revolução Francesa ou se foi consolidado por ela, mas o fato é que faz parte da cultura parisiense reclamar.
Uma vez um amigo veio nos vistar e em seu último dia aqui passamos por uma passeata sei-la-do-quê. Ele não exitou e disse:
- Opa. Vamos participar também. Afinal, vir a Paris e não fazer parte de uma manifestação é como não ter vindo.
E é assim mesmo. Toda semana tem uma passeata em algum canto da cidade. Se bobear, dia sim, dia não. Por todos os motivos imagináveis: contra o aquecimento global, por melhoria nos transportes públicos, contra a discriminação... E por aí vai.
"Mas é que se agora pra fazer sucesso / Pra vender disco de protesto / Todo mundo tem que reclamar..." (Raul Seixas)
"Ligo o rádio e ouço um chato que me grita nos ouvidos / Pare o mundo que eu quero descer!" (Raul Seixas)
Uma noite dessas, pra lá das 23h, fomos de bicicleta para o Trocadeiro. Lá tem uma vista linda para a Torre Eifel, que fica toda iluminada de amarelo. Mas antes de poder avistar a torre, nos deparamos com uma manifestação de imigrantes de sei lá onde, contra sei lá o que. Achei estranho o local e o horário da manifestação, já que só alguns poucos turistas devem ter tomado conhecimento dela. Semanas depois soube que imigrante (legal ou não) não tem o direito de manifestar por aqui.
É possível identificar facilmente essa insatisfação francesa no dia-a-dia, a começar pela língua. É muito comum os franceses usarem sentenças negativas para se comunicar. Quando eles querem dizer que alguma coisa é boa, interessante ou legal, eles usam a negativa do oposto. Complicou? Vamos lá:
C'est pas mal, cette glace = Esse sorvete não é ruim (querendo dizer que o sorvete é bom!)
c'est pas bonne, cette glace = Esse sorvete não é bom (querendo dizer que o sorvete é ruim!)
c'est pas cher = Isso não é caro (querendo dizer que algo é barato. Nesse caso, essa é a forma mais corriqueira de dizer se algo é caro ou não. Ou é cher ou pas cher. A expressão "bonne marché" - barato - existe, mas acho que pelo desuso a que foi destinada, já-já sai do vocabulário francês)
Acho que a língua serve para expressar quem somos e não que ela faça com que sejamos assim ou assado. Por isso, acredito que essa insatisfação, tão clara nas construções frasais, nada mais é que um modo de externalizar a insatisfação inerente à cada francês
Uma outra característica muito interessante é o "bufar com a boca". Sabe quando a gente está de saco cheio com alguma coisa e para aliviar a pressão interna a gente dá aquela inspirada de quase 10 segundos e ao colocar o ar pra fora (com a boca entre-aberta), os lábios se deixam levar por nossas angústias dissipadas em forma de ar? Pois eles fazem isso em cada frase. Sério: em cada frase! Aos poucos pecebemos que nem sempre eles estão de saco cheio (ou melhor, esvaziando o saco) porque algo realmente aconteceu. Às vezes não aconteceu nada. Simplesmente é assim. E olha, vou te contar que isso pega! Um monte de gente que conheci, que não são franceses, já aderiram ao "bufar com a boca".
Os franceses estão sempre a reclamar de algo, mesmo entre boas gargalhadas, em festas, em rodas de amigos, em pique-niques nos parques. Faça chuva ou faça sol lá está a boa e velha reclamação, como sombra, a os acompanhar. E isso não é nem bom nem ruim. É o jeito deles. E eu, particularmente, dou muita risada.
Uma vez um amigo veio nos vistar e em seu último dia aqui passamos por uma passeata sei-la-do-quê. Ele não exitou e disse:
- Opa. Vamos participar também. Afinal, vir a Paris e não fazer parte de uma manifestação é como não ter vindo.
E é assim mesmo. Toda semana tem uma passeata em algum canto da cidade. Se bobear, dia sim, dia não. Por todos os motivos imagináveis: contra o aquecimento global, por melhoria nos transportes públicos, contra a discriminação... E por aí vai.
"Mas é que se agora pra fazer sucesso / Pra vender disco de protesto / Todo mundo tem que reclamar..." (Raul Seixas)
"Ligo o rádio e ouço um chato que me grita nos ouvidos / Pare o mundo que eu quero descer!" (Raul Seixas)Uma noite dessas, pra lá das 23h, fomos de bicicleta para o Trocadeiro. Lá tem uma vista linda para a Torre Eifel, que fica toda iluminada de amarelo. Mas antes de poder avistar a torre, nos deparamos com uma manifestação de imigrantes de sei lá onde, contra sei lá o que. Achei estranho o local e o horário da manifestação, já que só alguns poucos turistas devem ter tomado conhecimento dela. Semanas depois soube que imigrante (legal ou não) não tem o direito de manifestar por aqui.
É possível identificar facilmente essa insatisfação francesa no dia-a-dia, a começar pela língua. É muito comum os franceses usarem sentenças negativas para se comunicar. Quando eles querem dizer que alguma coisa é boa, interessante ou legal, eles usam a negativa do oposto. Complicou? Vamos lá:
C'est pas mal, cette glace = Esse sorvete não é ruim (querendo dizer que o sorvete é bom!)
c'est pas bonne, cette glace = Esse sorvete não é bom (querendo dizer que o sorvete é ruim!)
c'est pas cher = Isso não é caro (querendo dizer que algo é barato. Nesse caso, essa é a forma mais corriqueira de dizer se algo é caro ou não. Ou é cher ou pas cher. A expressão "bonne marché" - barato - existe, mas acho que pelo desuso a que foi destinada, já-já sai do vocabulário francês)
Acho que a língua serve para expressar quem somos e não que ela faça com que sejamos assim ou assado. Por isso, acredito que essa insatisfação, tão clara nas construções frasais, nada mais é que um modo de externalizar a insatisfação inerente à cada francês
Uma outra característica muito interessante é o "bufar com a boca". Sabe quando a gente está de saco cheio com alguma coisa e para aliviar a pressão interna a gente dá aquela inspirada de quase 10 segundos e ao colocar o ar pra fora (com a boca entre-aberta), os lábios se deixam levar por nossas angústias dissipadas em forma de ar? Pois eles fazem isso em cada frase. Sério: em cada frase! Aos poucos pecebemos que nem sempre eles estão de saco cheio (ou melhor, esvaziando o saco) porque algo realmente aconteceu. Às vezes não aconteceu nada. Simplesmente é assim. E olha, vou te contar que isso pega! Um monte de gente que conheci, que não são franceses, já aderiram ao "bufar com a boca".
Os franceses estão sempre a reclamar de algo, mesmo entre boas gargalhadas, em festas, em rodas de amigos, em pique-niques nos parques. Faça chuva ou faça sol lá está a boa e velha reclamação, como sombra, a os acompanhar. E isso não é nem bom nem ruim. É o jeito deles. E eu, particularmente, dou muita risada.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Bicicleta nossa de cada dia, ou, um ensaio sobre o consumo

Finalmente! Depois de 26 anos estou realizando um grande sonho: usar a bicicleta como meio de transporte. 10 km por dia já é um ótimo começo. Vou e volto para o trabalho todo dia com o Velib, que é um sistema de bicicleta pública daqui de Paris. Com uma anuidade de 30 euros, pago pelo serviço de ter uma estação de Velib a cada raio de 100 metros. É muito bom não precisar seguir o nosso velho hábito de consumo de sempre comprar para suprir uma necessidade.
Imagino como seria se em vez de TER COISAS passássemos a UTILIZAR OS SERVIÇOS prestados por "uma coisa" comunitária. Onde ninguém é dono de nada e ao mesmo tempo todos são donos. Todos cuidam, todos zelam, cada um com sua especialidade e conhecimento específico.
Tenho reduzido bastante o consumo em meu dia-a-dia. Acho que mais de 95% de tudo que eu já comprei desde que cheguei aqui foi alimento. E a cada dia tenho me esforçado para diminuir mais e mais o impacto ambiental e social de minhas escolhas.
Tudo começa com a simples pergunta: eu REALMENTE preciso disso que quero comprar?
Mas nem sempre a resposta é tão clara e objetiva. Muito pelo contrário: ao meu ver, a idéia/sentimento de “necessidade” é extremamente subjetiva. O “querer” em si já depende de muitos aspectos externos à nossa própria natureza e que acabam se tornando tão intrínsecos a nós. O lugar onde vivemos (com seus hábitos e cultura), o lugar de onde viemos (nossas origens familiares e culturais) e o contexto histórico em que estamos inseridos faz toda a diferença.
As mensagens subliminares que recebemos a todo instante seja pelos livros, programas de televisão, filmes, conversas no dia-a-dia, propagandas e etc, nos dizem como precisamos ser para pertencermos à esse ou aquele grupo de pessoas. E cada vez mais essa mensagem tem sido: compre, tenha e você será. O que tem unido as pessoas atualmente, além de comportamentos e idéias em comum, tem sido o que elas possuem de bem material em comum. E isso faz piscar minha luz vermelha interna de PERIGO.
Posso de cara pensar em três aspectos negativos dessa cultura de consumo: os impactos ambientais que ela causa, a segregação socio-econômica que ela gera e a anulação da essência de cada indivíduo em virtude da massificação do comportamento.
Mas acho que pensar junto é muito mais rico e produtivo. Então vou postar essas idéias aos poucos.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Zoológicos e afins
Ao atravessar uma passarela para ir ao parque La Citadelle, em Lille (norte da França), me deparei com um lindo zoológico. De onde eu estava conseguia ver uns macacos meio enlouquecidos confinados numa mini ilha, um pavão perdido entre um monte de entulho, um rinoceronte numa área apenas 5 vezes o seu tamanho, umas tartarugas superpopulando uma táboa de madeira no lago e uns pelicanos solitários... Tentei achar a entrada do zoológico, mas sem sucesso.
Desculpem se minha descrição tira a poesia do momento. Só esclarecendo, já que vocês não estavam lá, sim o zoológico era bonito. Dentro dos limites de beleza que há numa vitrine de bichos (que na minha opinião, ficam no mínimo surtados quando enclausurados dessa forma). É que há muito meus olhos enxergam os zoológicos de uma outra perspectiva.
Fico perplexa com os meios que utilizamos para nos entreter. Seguindo a mesma linha de raciocínio dos zoológicos, estão os viveiros de aves e os aquários. Mário Quintana disse uma vez: “O mais triste de um pássaro engaiolado, é que ele parece feliz”. Acho que posso dividir minha vida/opinião sobre esse assunto em duas fases: antes e depois dessa frase. Já não gostava da idéia de pássaro engaiolado desde a minha infância, na adolescência começou minha restrição à aquários e parques aquáticos com animais, os zoológicos e circos entraram na minha lista negra há alguns anos e tenho repensado bastante minha relação com os animais domesticados.
Ano passado, me dei conta que montar cavalo, que eu simplesmente adorava quando pequena, hoje me dá náuseas. Lá estava eu, no dorso do cavalo, todo selado e cheio de parafernália na boca, quando de repente me perguntei: que diabos estou fazendo aqui em cima? Ainda dei umas duas voltas com essa pergunta me martelando a cabeça, me sentindo uma estúpida troglodita me divertindo às custas de outro ser vivo, assim sem ter nem pra quê. Desci e nunca mais montei num cavalo. De lá pra cá tenho me questionado sobre os gatos e cachorros criados em cidades, seja em minúsculos quintais ou em ínfimos apartamentos. Não. Isso não faz nenhum sentido pra mim.
Não estou questionando a importância cultural, histórica nem econômica da relação bicho-homem. O caminho que percorremos até aqui foi um, seja por esse ou aquele motivo, e chegamos onde estamos, da forma que pudemos. Mas escolho seguir um outro caminho daqui pra frente. Principalmente no quesito entretenimento.
Estava conversando uma vez sobre zoológicos com uma amiga e ela fez a seguinte ponderação:
- Mas é importante para as crianças terem contato com os animais para conhecerem a biodiversidade.
- Também acho, mas pra isso podemos usar a internet. Existem tantos recursos interessantes hoje em dia.
- Ah, mas é diferente ver os animais no computador em vez de vê-los em seu ambiente natural.
- Seu ambiente natural? Pensei que fossem as selvas, savanas, florestas...
- ...
Com todo respeito às opiniões adversas, os esportes como equitação, corrida de cachorros, caça; os entretenimentos como parques aquáticos, zoológicos, aquários, circos e a domesticação de animais (incluindo os bichos de estimação) definitivamente não são a minha praia.
Desculpem se minha descrição tira a poesia do momento. Só esclarecendo, já que vocês não estavam lá, sim o zoológico era bonito. Dentro dos limites de beleza que há numa vitrine de bichos (que na minha opinião, ficam no mínimo surtados quando enclausurados dessa forma). É que há muito meus olhos enxergam os zoológicos de uma outra perspectiva.
Fico perplexa com os meios que utilizamos para nos entreter. Seguindo a mesma linha de raciocínio dos zoológicos, estão os viveiros de aves e os aquários. Mário Quintana disse uma vez: “O mais triste de um pássaro engaiolado, é que ele parece feliz”. Acho que posso dividir minha vida/opinião sobre esse assunto em duas fases: antes e depois dessa frase. Já não gostava da idéia de pássaro engaiolado desde a minha infância, na adolescência começou minha restrição à aquários e parques aquáticos com animais, os zoológicos e circos entraram na minha lista negra há alguns anos e tenho repensado bastante minha relação com os animais domesticados.
Ano passado, me dei conta que montar cavalo, que eu simplesmente adorava quando pequena, hoje me dá náuseas. Lá estava eu, no dorso do cavalo, todo selado e cheio de parafernália na boca, quando de repente me perguntei: que diabos estou fazendo aqui em cima? Ainda dei umas duas voltas com essa pergunta me martelando a cabeça, me sentindo uma estúpida troglodita me divertindo às custas de outro ser vivo, assim sem ter nem pra quê. Desci e nunca mais montei num cavalo. De lá pra cá tenho me questionado sobre os gatos e cachorros criados em cidades, seja em minúsculos quintais ou em ínfimos apartamentos. Não. Isso não faz nenhum sentido pra mim.
Não estou questionando a importância cultural, histórica nem econômica da relação bicho-homem. O caminho que percorremos até aqui foi um, seja por esse ou aquele motivo, e chegamos onde estamos, da forma que pudemos. Mas escolho seguir um outro caminho daqui pra frente. Principalmente no quesito entretenimento.
Estava conversando uma vez sobre zoológicos com uma amiga e ela fez a seguinte ponderação:
- Mas é importante para as crianças terem contato com os animais para conhecerem a biodiversidade.
- Também acho, mas pra isso podemos usar a internet. Existem tantos recursos interessantes hoje em dia.
- Ah, mas é diferente ver os animais no computador em vez de vê-los em seu ambiente natural.
- Seu ambiente natural? Pensei que fossem as selvas, savanas, florestas...
- ...
Com todo respeito às opiniões adversas, os esportes como equitação, corrida de cachorros, caça; os entretenimentos como parques aquáticos, zoológicos, aquários, circos e a domesticação de animais (incluindo os bichos de estimação) definitivamente não são a minha praia.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Liberdade: Brasil X Europa
***
Nessa MINHA CAMINHADA POR AÍ, já foram muitas as conversas sobre o Brasil, sobre a diferença de liberdade entre Brasil e Europa.
Acho que talvez pra mim, que nasci e fui criada no Brasil, a forma com que as coisas se desenrolam por lá é perfeitamente normal e vivível: não poder voltar pra casa de transporte público depois das 23h, não poder andar pelas ruas de madrugada, pequenas guerras civís acontecendo bem na nossa porta, ou pelo menos na porta das casas onde nossas "empregadas e porteiros" moram, com direito a tiros e assaltos a torto e a direito.
Pra mim, isso está longe de ser o melhor, mas também está longe de ser o pior. Pra eles, que têm outro tipo de relação com o coletivo e com o uso dos espaços e tranportes públicos, esses fatos normais de nosso dia-a-dia podem parecer cenas dos filmes Cidade de Deus / Tropa de Elite. E de coração? Agora eu entendo.
Sábado passado fui para uma boate com umas amigas francesas. Deu 2:30 da matina, minhas pernas pediram arrego e resolvi voltar pra casa. Sozinha. Demorei meia hora no ponto de ônibus olhando pro mapa e tentando me localizar (ruas cheias de gente ao redor dos bares e restaurantes, pontos de ônibus cheios de gente). Peguei uma bicicleta pública e pedalei por 45 minutos, até chegar perto de casa, quando tive a sorte de pegar um busu e me aliviar de mais 10 minutos pedalando.
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(uma dessas madrugadas andando de bike por aí)
Aqui pessoas andam nas ruas. Mulher, homem... sozinhos ou em grupos. Não é que não aconteça nada, acontece, claro! Em todo canto desse mundo existem lugares e lugares, pessoas e pessoas. Mas a sensação de MEDO não existe, ou se existe é em escala muito menor do que no Brasil.
Mas o mundo é como é e não como pensamos que ele é. Essa é a grande vantagem de viajar por aí: descobrir as particularidades de cada lugar, as possibilidades de cada pessoa.
E a gente vai vivendo, vai vendo, conhecendo e mudando nossa vida.
"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente"
(Até quando? - Gabriel O Pensador)
Nessa MINHA CAMINHADA POR AÍ, já foram muitas as conversas sobre o Brasil, sobre a diferença de liberdade entre Brasil e Europa.
Acho que talvez pra mim, que nasci e fui criada no Brasil, a forma com que as coisas se desenrolam por lá é perfeitamente normal e vivível: não poder voltar pra casa de transporte público depois das 23h, não poder andar pelas ruas de madrugada, pequenas guerras civís acontecendo bem na nossa porta, ou pelo menos na porta das casas onde nossas "empregadas e porteiros" moram, com direito a tiros e assaltos a torto e a direito.
Pra mim, isso está longe de ser o melhor, mas também está longe de ser o pior. Pra eles, que têm outro tipo de relação com o coletivo e com o uso dos espaços e tranportes públicos, esses fatos normais de nosso dia-a-dia podem parecer cenas dos filmes Cidade de Deus / Tropa de Elite. E de coração? Agora eu entendo.
Sábado passado fui para uma boate com umas amigas francesas. Deu 2:30 da matina, minhas pernas pediram arrego e resolvi voltar pra casa. Sozinha. Demorei meia hora no ponto de ônibus olhando pro mapa e tentando me localizar (ruas cheias de gente ao redor dos bares e restaurantes, pontos de ônibus cheios de gente). Peguei uma bicicleta pública e pedalei por 45 minutos, até chegar perto de casa, quando tive a sorte de pegar um busu e me aliviar de mais 10 minutos pedalando.
(uma dessas madrugadas andando de bike por aí)
Aqui pessoas andam nas ruas. Mulher, homem... sozinhos ou em grupos. Não é que não aconteça nada, acontece, claro! Em todo canto desse mundo existem lugares e lugares, pessoas e pessoas. Mas a sensação de MEDO não existe, ou se existe é em escala muito menor do que no Brasil.
Mas o mundo é como é e não como pensamos que ele é. Essa é a grande vantagem de viajar por aí: descobrir as particularidades de cada lugar, as possibilidades de cada pessoa.
E a gente vai vivendo, vai vendo, conhecendo e mudando nossa vida.
"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente"
(Até quando? - Gabriel O Pensador)
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Couchsurfing em Lille - maio 2009
***
Paris tem me surpreendido a cada esquina. Uma cidade grande com muitas opções do que fazer: piqueniques nos parques, passeios à pé ou de bicicleta pelas ruas, cinemas, cafés, bares... Mas ainda assim, quinta-feira passada foi dia de colocar a mochila nas costas e pé na estrada!
Pegamos o metrô até o subúrbio norte de Paris para daí então ter acesso ao posto de gasolina que beira a rodovia. Quer dizer... as coisas não foram tão simples assim. Entre nós e o posto havia um muro liso de mais de 2,5 metros.

(não foi esse o muro pulado. Foi um parecido só que com 4 blocos de altura em vez de 3)
Mas aventura sem obstáculo não vale, então logo de cara nos deparamos com esse primeiro desafio. E tenta de lá, e tenta de cá, e sobe um pra ver se dá mesmo, e desce, e tira o tênis, e sobe o outro e... pimba no chão! Bem... dá pra imaginar que esse pimba me pertenceu, né? Caí em pé, descalça, por muito pouco não caí em cima do matagal cheio de espinhos que se estendia por todo lado. O corpo gelou, o coração trimilicou e só depois de alguns segundos senti minha barriga ferver. Durante a queda ralei ela na base do muro. Toda. Não sobrou um tantinho de pele ilesa pra contar a história imparcialmente. Mas, como já dizia nosso bom e velho Ivan Lins "Desesperar jamais / Aprendemos muito nesses anos / Afinal de contas não tem cabimento / Entregar o jogo no primeiro tempo". Chora o que tem que chorar, respira fundo e muro acima novamente. E no horizonte a estrada se despontou magnífica.
Primeiro destino: Lille - norte da França. Conseguimos uma carona até o próximo e mais movimentado posto e em 4 horas estávamos em Lille.

Fomos recebidos por Pierefrancesco, um italiano que mora lá há 4 anos e vai passar julho viajando pelo Brasil e depois nossa anfitriã do couchsurfing (www.couchsurfing.org) Aurelie apareceu. Uma jovem de 21 anos, franco-alemã, gente finíssima, que está morando em Lille por 6 meses para fazer parte de seu mestrado, filha de diplomata que a cada 2 anos mudava de país, com 5 irmãos aos quais se referia pelo número de ordem de nascimento (não sei o nome de nenhum deles) e que também morre de vontade de conhecer o Brasil (mas morre de medo da violência de daí também).

(aconchegante studio de Aurelie. Dormimos no sofá azul)
Fomos os quatro, eu, Deco, Aurelie e Pierefrancesco para um evento musical aberto ao público chamado L'Accordeon (com, na verdade, mais 2 couchsurfers, uma americana e outra de alguma parte da asia, que da mesma forma que se juntaram ao grupo, desapareceram na multidão e nunca mais tivemos notícias delas). Foi um show de dança e música do Senegal, com a partcipação, bem no final de um carinha tocando acordeon junto com os tambores.

Era tanta batucada, tanto movimento, as mulheres lindíssimas dançando com todo o corpo, pulando com as pernas pro alto, sacudindo os braços e fazendo uma careta mais linda que a outra em reverência à batucada dos atabaques e tambores dos homens. Coisa de louco!
Jantar na casa de Aurelie: espaguete ao molho de tomate e atum. (Será que foi por isso que o italiano relutou tanto em comer?). Voltamos para assistir uma outra apresentação de cantoras italianas. Maravilhoso! Alegria, música e dança no palco... platéia do teatro em êxtase. Mas chegamos no finalzinho. ã essa hora já eram quase meia noite e meu corpo já não respondia direito aos meus comandos. 4 horas de sono na véspera da viagem e de pé desde às 7:30 da matina. E eu sou uma daquelas que perco toda a doçura do meu ser quando estou com sono. E com fome. Enfim, casa e cama.

(eu, Deco, Pierefrancesco e Aurelie)
O dia seguinte amanheceu tranquilo e ensolarado pela segunda vez (o que em Lille é quase um milagre. Sempre tá nublado ou choviscando). Chá com pão e geléia de cereja pela manhã e mais horas de conversa agradável com nossa anfitriã. É tão bom quando deixamos os medos e "se"s de lado e nos abrimos ao desconhecido. Os desconhecidos podem se mostrar pessoas tão interessantes, boas e acolhedoras quando temos a chance (e nos damos a chance) de conhecê-los.
A aventura não terminou por aqui. Uma voltinha a mais em Lille e pé na estrada novamente. Direção: Gent - Bélgica. Mas essa é uma outra hitória...
Paris tem me surpreendido a cada esquina. Uma cidade grande com muitas opções do que fazer: piqueniques nos parques, passeios à pé ou de bicicleta pelas ruas, cinemas, cafés, bares... Mas ainda assim, quinta-feira passada foi dia de colocar a mochila nas costas e pé na estrada!
Pegamos o metrô até o subúrbio norte de Paris para daí então ter acesso ao posto de gasolina que beira a rodovia. Quer dizer... as coisas não foram tão simples assim. Entre nós e o posto havia um muro liso de mais de 2,5 metros.
(não foi esse o muro pulado. Foi um parecido só que com 4 blocos de altura em vez de 3)
Mas aventura sem obstáculo não vale, então logo de cara nos deparamos com esse primeiro desafio. E tenta de lá, e tenta de cá, e sobe um pra ver se dá mesmo, e desce, e tira o tênis, e sobe o outro e... pimba no chão! Bem... dá pra imaginar que esse pimba me pertenceu, né? Caí em pé, descalça, por muito pouco não caí em cima do matagal cheio de espinhos que se estendia por todo lado. O corpo gelou, o coração trimilicou e só depois de alguns segundos senti minha barriga ferver. Durante a queda ralei ela na base do muro. Toda. Não sobrou um tantinho de pele ilesa pra contar a história imparcialmente. Mas, como já dizia nosso bom e velho Ivan Lins "Desesperar jamais / Aprendemos muito nesses anos / Afinal de contas não tem cabimento / Entregar o jogo no primeiro tempo". Chora o que tem que chorar, respira fundo e muro acima novamente. E no horizonte a estrada se despontou magnífica.
Primeiro destino: Lille - norte da França. Conseguimos uma carona até o próximo e mais movimentado posto e em 4 horas estávamos em Lille.
Fomos recebidos por Pierefrancesco, um italiano que mora lá há 4 anos e vai passar julho viajando pelo Brasil e depois nossa anfitriã do couchsurfing (www.couchsurfing.org) Aurelie apareceu. Uma jovem de 21 anos, franco-alemã, gente finíssima, que está morando em Lille por 6 meses para fazer parte de seu mestrado, filha de diplomata que a cada 2 anos mudava de país, com 5 irmãos aos quais se referia pelo número de ordem de nascimento (não sei o nome de nenhum deles) e que também morre de vontade de conhecer o Brasil (mas morre de medo da violência de daí também).

(aconchegante studio de Aurelie. Dormimos no sofá azul)
Fomos os quatro, eu, Deco, Aurelie e Pierefrancesco para um evento musical aberto ao público chamado L'Accordeon (com, na verdade, mais 2 couchsurfers, uma americana e outra de alguma parte da asia, que da mesma forma que se juntaram ao grupo, desapareceram na multidão e nunca mais tivemos notícias delas). Foi um show de dança e música do Senegal, com a partcipação, bem no final de um carinha tocando acordeon junto com os tambores.

Era tanta batucada, tanto movimento, as mulheres lindíssimas dançando com todo o corpo, pulando com as pernas pro alto, sacudindo os braços e fazendo uma careta mais linda que a outra em reverência à batucada dos atabaques e tambores dos homens. Coisa de louco!
Jantar na casa de Aurelie: espaguete ao molho de tomate e atum. (Será que foi por isso que o italiano relutou tanto em comer?). Voltamos para assistir uma outra apresentação de cantoras italianas. Maravilhoso! Alegria, música e dança no palco... platéia do teatro em êxtase. Mas chegamos no finalzinho. ã essa hora já eram quase meia noite e meu corpo já não respondia direito aos meus comandos. 4 horas de sono na véspera da viagem e de pé desde às 7:30 da matina. E eu sou uma daquelas que perco toda a doçura do meu ser quando estou com sono. E com fome. Enfim, casa e cama.

(eu, Deco, Pierefrancesco e Aurelie)
O dia seguinte amanheceu tranquilo e ensolarado pela segunda vez (o que em Lille é quase um milagre. Sempre tá nublado ou choviscando). Chá com pão e geléia de cereja pela manhã e mais horas de conversa agradável com nossa anfitriã. É tão bom quando deixamos os medos e "se"s de lado e nos abrimos ao desconhecido. Os desconhecidos podem se mostrar pessoas tão interessantes, boas e acolhedoras quando temos a chance (e nos damos a chance) de conhecê-los.
A aventura não terminou por aqui. Uma voltinha a mais em Lille e pé na estrada novamente. Direção: Gent - Bélgica. Mas essa é uma outra hitória...
Paris: carros, bicicletas e intercâmbio de línguas
A vida em Paris tem se tornado cada vez mais interessante.
Coisas inusitadas acontecem por aqui.
1) ESTACIONAR EM PARIS é um pouco, digamos, diferente de no Brasil. Aqui as vagas são super estreitas e uma coisa todos os motoristas aprenderam na auto-escola: parachoque foi feito para ser usado e não para enfeitar. E eles usam mesmo! Sem dó nem piedade! Entram de ré na vaga, batem o parachoque dianteiro na lateral do carro da frente, ajeitam o volante, saem da vaga, entram de novo, batem com o parachoque traseiro do parachoque dianteiro do carro de trás. E por aí vai. Me lembra muito aquele brinquedo que tem nos parques: bate-bate. E tudo isso é muito normal, ninguém parece se abalar, nem quem bate nem quem é batido. Coisa louca!
2) AINDA SOBRE CARROS: gasolina? álcool? diesel? NOPS! Tem carro aqui que carrega na tomada mesmo. São os bons e otimizadores do uso de recursos naturais: os carros elétricos. Mas se além de elétrico, ele ainda cabe no bolso, aí sim podemos elegê-lo como o carro ideal (deixando um pouco de lado a idéia de que, na minha opinião, 1 tonelada de metal servir para transportar 80 ou 200 kilos está longe de ser ideal em qualquer sentido).

(Carro elétrico sendo "abastecido / recarregado")
3) AS BICICLETAS... ah, as bicicletas... são as minhas mais novas paixões! Estão pelas ruas de Paris, lindas, por todos os lados. As públicas, as enfeitadas, as tímidas, as sem roda, as abandonadas, as afogadas, as cagadas, as monocicletas...
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São tão presentes na vida parisiense que sábado de madrugada, 5 da matina, estávamos voltando pra casa depois de uma noitada regada a muita música boa, risada e conversas em francês, quando somos parados por uma blitz policial por termos invadido o sinal vermelho. Tá... tudo bem... eu sei que pode ser um pouco difícil acompanhar o que eu estou dizendo. Vamos lá, recaptulando:
sábado, 5 da manhã, grupo de 5 amigos em bicicletas, atravessam o sinal vermelho, a polícia pára todo mundo.
Exatamente assim. Sem tirar nem por. Pensei com meus botões: "que merda... agora vem a multa. Antes tivéssemos voltado de taxi, seria mais barato".
No grupo éramos 2 brasileiros, 1 belga e 2 franceses. Sendo que eu era a única que ainda mantinha o sangue circulante isento de álcool.
Os policiais falaram, falaram, falaram. E eu não entendia patavinas! Estava só atenta aos comandos gestuais dos meus companheiros de aventura. Eu, calada. O belga, calado. Um dos franceses batendo boca com os policiais, o outro dando apoio moral e Deco justificando que tínhamos passado no sinal vermelho pq ouvimos uma sirene vindo por trás e tivemos que nos desviar para dar passagem (o que foi um fato real, mas não o motivo real). Blablabla pra todo o lado, "a identidade por favor", eu pensei: "é agora". Devolveram nossa identidade e nos deixaram ir. Vai entender. Além da bronca e da eminência de uma bela multa, nada de fato aconteceu. Tanto que o francês que estava contra-argumentando com os policiais, asism que fomos liberados, atravessou novamente no sinal vermelho, bem na cara dos policiais. Essa galera, não sei não. Mas ele é francês, ele faz o que ele quiser. Só sei que depois disso, lá estava eu, de bicicleta, parando em todo bendito sinal vermellho, às 5 horas da manhã de sábado.
4) INTERCÂMBIO DE LÍNGUAS: estou tendo uma experiência de intercâmbio de línguas aqui em paris. Fui na net (no bom e velho google) ver se eu achava algum curso gratuito de francês para estrangeiros e me deparei com vários anúncios de intercâmbio de línguas. "Troco meu francês pelo seu alemão", "Troco meu inglês pelo seu francês", essa troca numa conversa informal e descontraída. Comecei a procurar pessoas interessadas em conversar em francês/português. Respondi uns anúncios, anunciei em alguns sites e já tive a oportunidade de almoçar com um francês, fazer um piquenique com uma francesa e ficar esperando um outro francês que nunca apareceu numa praça aqui perto de casa.
Essa semana agora promete! Já tenho 3 encontros marcados e chove e-mails em minha caixa de entrada! Estou marcando cada encontro num parque diferente daqui de Paris. Já fui no Bois de Bologne (que é uma área gigante com vários jardins, áreas de equitação e lagos. É um lugar muito bonito de dia e conhecido pela presença de prostitutas e travestis durante a noite), já fui no Parc de Bercy (que até hoje é sem dúvida meu lugar preferido de Paris! Muitos jadins, campos para piqueniques, bancos, gramado para um bom cochilo. Independente de minhas crenças religiosas, me senti num verdadeiro Jardim do Édem. Pelo menos como eu penso que ele seria) e hoje vou conhecer o Jardin de Tuileries.
As fotos continuam sendo postadas semanalmente no http://fbrbrasil.multiply.com/
Coisas inusitadas acontecem por aqui.
1) ESTACIONAR EM PARIS é um pouco, digamos, diferente de no Brasil. Aqui as vagas são super estreitas e uma coisa todos os motoristas aprenderam na auto-escola: parachoque foi feito para ser usado e não para enfeitar. E eles usam mesmo! Sem dó nem piedade! Entram de ré na vaga, batem o parachoque dianteiro na lateral do carro da frente, ajeitam o volante, saem da vaga, entram de novo, batem com o parachoque traseiro do parachoque dianteiro do carro de trás. E por aí vai. Me lembra muito aquele brinquedo que tem nos parques: bate-bate. E tudo isso é muito normal, ninguém parece se abalar, nem quem bate nem quem é batido. Coisa louca!
2) AINDA SOBRE CARROS: gasolina? álcool? diesel? NOPS! Tem carro aqui que carrega na tomada mesmo. São os bons e otimizadores do uso de recursos naturais: os carros elétricos. Mas se além de elétrico, ele ainda cabe no bolso, aí sim podemos elegê-lo como o carro ideal (deixando um pouco de lado a idéia de que, na minha opinião, 1 tonelada de metal servir para transportar 80 ou 200 kilos está longe de ser ideal em qualquer sentido).
(Carro elétrico sendo "abastecido / recarregado")
3) AS BICICLETAS... ah, as bicicletas... são as minhas mais novas paixões! Estão pelas ruas de Paris, lindas, por todos os lados. As públicas, as enfeitadas, as tímidas, as sem roda, as abandonadas, as afogadas, as cagadas, as monocicletas...
São tão presentes na vida parisiense que sábado de madrugada, 5 da matina, estávamos voltando pra casa depois de uma noitada regada a muita música boa, risada e conversas em francês, quando somos parados por uma blitz policial por termos invadido o sinal vermelho. Tá... tudo bem... eu sei que pode ser um pouco difícil acompanhar o que eu estou dizendo. Vamos lá, recaptulando:
sábado, 5 da manhã, grupo de 5 amigos em bicicletas, atravessam o sinal vermelho, a polícia pára todo mundo.
Exatamente assim. Sem tirar nem por. Pensei com meus botões: "que merda... agora vem a multa. Antes tivéssemos voltado de taxi, seria mais barato".
No grupo éramos 2 brasileiros, 1 belga e 2 franceses. Sendo que eu era a única que ainda mantinha o sangue circulante isento de álcool.
Os policiais falaram, falaram, falaram. E eu não entendia patavinas! Estava só atenta aos comandos gestuais dos meus companheiros de aventura. Eu, calada. O belga, calado. Um dos franceses batendo boca com os policiais, o outro dando apoio moral e Deco justificando que tínhamos passado no sinal vermelho pq ouvimos uma sirene vindo por trás e tivemos que nos desviar para dar passagem (o que foi um fato real, mas não o motivo real). Blablabla pra todo o lado, "a identidade por favor", eu pensei: "é agora". Devolveram nossa identidade e nos deixaram ir. Vai entender. Além da bronca e da eminência de uma bela multa, nada de fato aconteceu. Tanto que o francês que estava contra-argumentando com os policiais, asism que fomos liberados, atravessou novamente no sinal vermelho, bem na cara dos policiais. Essa galera, não sei não. Mas ele é francês, ele faz o que ele quiser. Só sei que depois disso, lá estava eu, de bicicleta, parando em todo bendito sinal vermellho, às 5 horas da manhã de sábado.
4) INTERCÂMBIO DE LÍNGUAS: estou tendo uma experiência de intercâmbio de línguas aqui em paris. Fui na net (no bom e velho google) ver se eu achava algum curso gratuito de francês para estrangeiros e me deparei com vários anúncios de intercâmbio de línguas. "Troco meu francês pelo seu alemão", "Troco meu inglês pelo seu francês", essa troca numa conversa informal e descontraída. Comecei a procurar pessoas interessadas em conversar em francês/português. Respondi uns anúncios, anunciei em alguns sites e já tive a oportunidade de almoçar com um francês, fazer um piquenique com uma francesa e ficar esperando um outro francês que nunca apareceu numa praça aqui perto de casa.
Essa semana agora promete! Já tenho 3 encontros marcados e chove e-mails em minha caixa de entrada! Estou marcando cada encontro num parque diferente daqui de Paris. Já fui no Bois de Bologne (que é uma área gigante com vários jardins, áreas de equitação e lagos. É um lugar muito bonito de dia e conhecido pela presença de prostitutas e travestis durante a noite), já fui no Parc de Bercy (que até hoje é sem dúvida meu lugar preferido de Paris! Muitos jadins, campos para piqueniques, bancos, gramado para um bom cochilo. Independente de minhas crenças religiosas, me senti num verdadeiro Jardim do Édem. Pelo menos como eu penso que ele seria) e hoje vou conhecer o Jardin de Tuileries.
As fotos continuam sendo postadas semanalmente no http://fbrbrasil.multiply.com/
Páscoa - Abril 2009
Paris é uma cidade encantadora. A cada dia eu e ela nos damos melhor.
A primavera chegou e os dias estão ficando cada vez mais mornos, flores brotando por todo o lado e as árvores recuperando o verde perdido no inverno.
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Acompanhar essa mudança de estações é ainda meio difícil pra mim, principalmente por causa do inverno e dias nublados, mas tem sido uma experiência no mínimo intrigante desde que morei nos Estados Unidos.
Na páscoa recebemos um casal amigo de Deco que estão morando na Suécia. Foi muito bom estar com eles durante 5 dias. Saimos bastante, conheci lugares novos e revisitei alguns. Fomos ao Musée de l'Armée (também conhecido como Invalides). Aprendi bastante sobre a 1 e 2 guerra mundiais, vi onde está o presunto de Napoleão... Mas ainda acho que voltaremos lá, nosso tempo foi muito curto e tivemos que passar batidos por algumas coisas interessantes.

Fomos na Sacre Couer e dessa vez em vez de subir até a última cúpula (300 degraus pra cima) fomos conhecer a Igreja por dentro. Eu não sou lá fã de Igrejas, mas confesso que a arquitetura me impressionou. Adoro arcos e cúpulas. Foi interessante.
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(Sacre Couer)
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(Vista do alto da Sacre Coeur - foto tirada em nov/2008)
Da Sacre Couer, fomos até a praça que eu chamo de Praça dos Artistas (nunca lembro como ela se chama!), que tem inúmeros pintores expondo suas obras e outros fazendo o retrato das pessoas. Acho que a melhor parte de ir na Sacre Couer, é passar nessa praça.

Fizemos tour por Paris à noite e fomos ver os diversos monumentos iluminados: o Louvre, o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, a Ópera. Paris à noite também é bonita, uma pena que ver as estrelas seja quase impossível por causa de tanta luz.
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(Ópera de Paris)
Eu já me sinto aqui. Precisei de algumas semanas para ir chegando com calma, mas agora está tudo se ajeitando. Demorei um pouco pra entender como funciona o sistema de ensino superior francês, é bem diferente do brasileiro. Agora preciso focar minha atenção em escolher o curso certo. Os planos de começar a universidade foram adiados para o ano que vem. Infelizmente as datas de incrição já estão encerradas. Isso muda um pouco os planos iniciais, mas abre porta pra outras possibilidades também interessantes. Inicialmente vou me dedicar bastante ao francês, como tenho feito nas últimas semanas. Esse é o primeiro passo para qualquer coisa aqui. Já consigo ler bastante coisa, entender outras e ainda tô tomando coragem para arriscar falar. rsrsrrs Mas é assim mesmo. Cada coisa em seu tempo.
Enfim, estou muitíssimo feliz com essa minha nova vida.
Tem algumas fotos do feriado no http://fbrbrasil.multiply.com
A primavera chegou e os dias estão ficando cada vez mais mornos, flores brotando por todo o lado e as árvores recuperando o verde perdido no inverno.
Acompanhar essa mudança de estações é ainda meio difícil pra mim, principalmente por causa do inverno e dias nublados, mas tem sido uma experiência no mínimo intrigante desde que morei nos Estados Unidos.
Na páscoa recebemos um casal amigo de Deco que estão morando na Suécia. Foi muito bom estar com eles durante 5 dias. Saimos bastante, conheci lugares novos e revisitei alguns. Fomos ao Musée de l'Armée (também conhecido como Invalides). Aprendi bastante sobre a 1 e 2 guerra mundiais, vi onde está o presunto de Napoleão... Mas ainda acho que voltaremos lá, nosso tempo foi muito curto e tivemos que passar batidos por algumas coisas interessantes.
Fomos na Sacre Couer e dessa vez em vez de subir até a última cúpula (300 degraus pra cima) fomos conhecer a Igreja por dentro. Eu não sou lá fã de Igrejas, mas confesso que a arquitetura me impressionou. Adoro arcos e cúpulas. Foi interessante.
(Sacre Couer)
(Vista do alto da Sacre Coeur - foto tirada em nov/2008)
Da Sacre Couer, fomos até a praça que eu chamo de Praça dos Artistas (nunca lembro como ela se chama!), que tem inúmeros pintores expondo suas obras e outros fazendo o retrato das pessoas. Acho que a melhor parte de ir na Sacre Couer, é passar nessa praça.
Fizemos tour por Paris à noite e fomos ver os diversos monumentos iluminados: o Louvre, o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, a Ópera. Paris à noite também é bonita, uma pena que ver as estrelas seja quase impossível por causa de tanta luz.
(Ópera de Paris)
Eu já me sinto aqui. Precisei de algumas semanas para ir chegando com calma, mas agora está tudo se ajeitando. Demorei um pouco pra entender como funciona o sistema de ensino superior francês, é bem diferente do brasileiro. Agora preciso focar minha atenção em escolher o curso certo. Os planos de começar a universidade foram adiados para o ano que vem. Infelizmente as datas de incrição já estão encerradas. Isso muda um pouco os planos iniciais, mas abre porta pra outras possibilidades também interessantes. Inicialmente vou me dedicar bastante ao francês, como tenho feito nas últimas semanas. Esse é o primeiro passo para qualquer coisa aqui. Já consigo ler bastante coisa, entender outras e ainda tô tomando coragem para arriscar falar. rsrsrrs Mas é assim mesmo. Cada coisa em seu tempo.
Enfim, estou muitíssimo feliz com essa minha nova vida.
Tem algumas fotos do feriado no http://fbrbrasil.multiply.com
Primeiras semanas em Paris
Cheguei em Paris na quinta, dia 26/03. A viagem foi ótima! Dormi no avião de Salvador até Frankfurt e dormi no trem de Frankfurt até Paris! Rsrsrsrs
Os primeiros dias foram cinzas por aqui, mas desde domingo o céu azul aparece esplendoroso por entre os casarões. A diferença de fuso horário é de 5 horas a mais aqui em Paris (já entramos no horário de primavera/verão/outono).
Estou morando no 13eme, um bairro que é mais conhecido como Chinatown (por ter muitos estabelecimentos de países asiáticos e muitos deles morando por aqui). É só ir para rua para ver aquele monte de gente de olhinho semi fechado.
Moro bem perto de uma estação de metrô e de um ponto de Tram, o que facilita muito a vida. Além disso por aqui em Paris tem estações de bicicletas públicas a cada raio de 100 metros. Na segunda fomos dar uma volta de bicicleta.
No sábado à noite fomos numa reunião de amigos de André. Foi muito engraçado pra mim ficar vendo aquele bando de gente falando, falando, falando e eu sem entender quase nada. Hauahauhauhauahuaha

(Eu, Deco e Adrien)
Minhas aulas de francês começam hoje. Essa semana é a Semana do Desenvolvimento Durável (é assim que eles chamam, em vez de Desenvolvimento Sustentável) aqui no 13eme. Vai ser uma excelente oportunidade de saber o que está acontecendo por aqui nesse direcionamento, e uma boa chance de entrar em contato com a língua francesa.
Os primeiros dias foram cinzas por aqui, mas desde domingo o céu azul aparece esplendoroso por entre os casarões. A diferença de fuso horário é de 5 horas a mais aqui em Paris (já entramos no horário de primavera/verão/outono).
Estou morando no 13eme, um bairro que é mais conhecido como Chinatown (por ter muitos estabelecimentos de países asiáticos e muitos deles morando por aqui). É só ir para rua para ver aquele monte de gente de olhinho semi fechado.
Moro bem perto de uma estação de metrô e de um ponto de Tram, o que facilita muito a vida. Além disso por aqui em Paris tem estações de bicicletas públicas a cada raio de 100 metros. Na segunda fomos dar uma volta de bicicleta.
No sábado à noite fomos numa reunião de amigos de André. Foi muito engraçado pra mim ficar vendo aquele bando de gente falando, falando, falando e eu sem entender quase nada. Hauahauhauhauahuaha
(Eu, Deco e Adrien)
Minhas aulas de francês começam hoje. Essa semana é a Semana do Desenvolvimento Durável (é assim que eles chamam, em vez de Desenvolvimento Sustentável) aqui no 13eme. Vai ser uma excelente oportunidade de saber o que está acontecendo por aqui nesse direcionamento, e uma boa chance de entrar em contato com a língua francesa.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Marizá Epicentro, Tucano - Bahia
"O tempo passou diferente.
Nada do que havia aprendido antes servia lá.
Era tudo mágico, simples e completo.
Era tudo como tinha que ser.
Era intuição.
Respeito.
Eram ciclos e ritmos internos.
Foi uma viagem longa e profunda pra dentro de mim."
Era tudo mágico, simples e completo.
Era tudo como tinha que ser.
Era intuição.
Respeito.
Eram ciclos e ritmos internos.
Foi uma viagem longa e profunda pra dentro de mim."
E lá fui eu. Rumo ao desconhecido. 4 horas de ônibus, 3 de espera, 1 de carona e finalmente cheguei: Marizá Epicentro. Nunca tinha estado lá. Na verdade, nunca havia pisado no sertão antes. Mas eu simplesmente reconheci o lugar. Era como se eu nunca tivesse saído de lá.
Foram dias intensos. Um curso de agroecologia que me ensinou muito mais do que técnicas de plantio. Me fez rever meus conceitos sobre a terra. Me fez olhar ao redor com olhos de quem descobre o mundo pela primeira vez.
Lá todos os ciclos são respeitados. A natureza tem seu ritmo. As pessoas têm seu ritmo. E há lugar para que todos os ritmos interajam de forma completamente harmonica e complementar. Lá eu pude me conectar com meus ciclos. Pude me dar conta dos sussurros de minha alma. E pude ouví-los. Sem julgamentos.
Em Marizá o tempo passa macio. Os dias começam cedo e terminam cedo. As estrelas têm seu momento de contemplação. Cada fração de segundo tem o seu valor.
domingo, 3 de agosto de 2008
Encaixando as peças
Bem, nesse exato momento de minha vida nada está muito claro. O que será do dia de amanhã e dos próximos está sendo decidido bem devagar, no esquema slow motion mesmo. Quando todo o quebra-cabeça já pronto de um futuro pré-estruturado é, de repente, quebrado, só resta desmontar o que restou. Mas como significâncias e significados não são aspectos que podem ser facilmente abolidos da parte prática da vida, ainda estou a olhar a bagunça de sonhos e projetos espalhados diante de mim. E cada dia, uma por uma as peças são deslocadas, movidas e realocadas. O que não é um processo simples. Até achar o lugar certo para cada peça sei que vai levar algum tempo. Por isso que Minha Caminhada Por Aí vai sendo escrita pé ante pé. Na certeza de que o chão é real e que o barro me sustenta.
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